quinta-feira, 23 de abril de 2015

Vai para Buenos Aires, Argentina? Confira nossas dicas

Um grande desafio para quem escreve sobre Buenos Aires é não ser óbvio nem repetitivo, dada a quantidade de informação disponível em blogs, guias de turismo etc. 

Então, o que fazer? Para nós a resposta vem quase que imediata: escrever com o coração. Esta é sempre nossa receita infalível e é o que nos dá prazer de escrever. Passar pra vocês o que sentimos é muito mais importante do que uma simples fórmula de viagem, algo racional e frio.




Mas não vamos esquecer que viajar não é só emoção, precisa também de planejamento. E é para ajudar nossos leitores nessa parte um pouquinho entediante que publicamos hoje algumas dicas básicas para quem deseja viajar para Buenos Aires, capital da Argentina e dos nossos queridos hermanos.




Não deixe de conferir também nossa publicação com algumas dicas gerais sobre a Argentina.



Quando ir

A cidade de Buenos Aires é pra ser visitada em qualquer época do ano. 

Se pretende ir no inverno, agosto é o mês do Festival de Tango. Em 2015 ele se realizará entre os dias 12 e 25. O legal é que as temperaturas são bem suportáveis, mesmo no auge do frio.

verão é bem mais quente que você imagina. É a época pra abusar de bermudas e camisas de malha. 

primavera é o mês das flores e dos parques da cidade ficarem coloridos.

Se for no outono terá oportunidade de pegar o Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independente. Está rolando entre os dias 15 e 26/abril (agorinha!).



Quanto tempo ficar

Buenos Aires é sem dúvida uma das maiores metrópoles da América Latina e, como tal, merece um pouco mais de atenção daqueles que tem a oportunidade de conhecê-la, afinal você não vai deixar de assistir a um espetáculo de Tango, à Orquestra Sinfônica no Teatro Colón ou mesmo caminhar pelos Bosques de Palermo, não é?

Montamos um roteiro de 8 dias cobrindo algumas das principais atrações da cidade:

Dia 1 (sábado): Palermo Chico / Bosques de Palermo
Dia 2 (domingo): San Telmo / La Boca
Dia 3 (segunda-feira): Microcentro / Retiro
Dia 4 (terça-feira): Recoleta
Dia 5 (quarta-feira): Plaza de Mayo / Puerto Madero
Dia 6 (quinta-feira): Palermo Viejo (SoHo e Hollywood) / Villa Crespo
Dia 7 (sexta-feira): Colônia del Sacramento ou Zoológico de Lujan
Dia 8 (sábado): Tigre / San Isidro

Vocês podem ver mais detalhes nos roteiros de cada região. Assim poderão aproveitar da melhor forma a sua viagem. 


Onde ficar

Detalhamos onde ficar em Buenos Aires numa publicação exclusiva sobre o assunto. Vale à pena conferir o melhor e o pior de cada bairro!


Para qualquer hospedagem na Argentina, fique atento à cobrança de 21% referente ao IVA. Alguns sítios de reserva não mostram claramente o valor do imposto, levando o desavisado cliente a tomar um baita susto na hora de pagar a conta.

Confira também a relação de dicas de hotéis de Buenos Aires que preparamos para você.

Booking.com


Com ou sem guia de turismo

Com um pouco de disposição, você não vai precisar de guia de turismo para conhecer Buenos Aires. Entretanto, há algumas ressalvas em relação à segurança. Recomendamos que você leia o item específico aqui mesmo nesta publicação (vide item segurança).

Uma boa opção para ter uma visão geral da cidade são os conhecidos ônibus hop-in hop-off. Nós utilizamos o Bus Turístico Ciudad de Buenos AiresO serviço deles é mediano, no mesmo padrão de outras cidades. Há áudio gravado disponível em várias línguas (apesar de falhando em alguns assentos), possibilidade ilimitada de subir/descer do ônibus etc. Eles cobram AR$350,00 (R$97,22) pelo bilhete 24 hs, mas o valor cai para AR$260,00 (R$72,22) se você comprar antecipadamente pela web. O valor não é barato, mas o percurso deles é bem extenso e cobre as principais atrações da cidade. O intervalo entre cada ônibus é pequeno, chegando a apenas 10 min em algumas paradas.

Se você pensa em contratar uma agência de turismo por causa do tango, não se preocupe. Você pode comprar as entradas na recepção do seu hotel. Eles fazem o agendamento do espetáculo que você escolher e te informam o horário que vão te pegar no hotel. Se quiser um precinho mais camarada, sugerimos que vá diretamente na bilheteria da casa de show que escolher.


Dinheiro - onde trocar

Assim que chegamos a Buenos Aires de barco vindo de Colônia del Sacramento, nós fomos à casa de câmbio da estação Buquebus, pois não tínhamos dinheiro nem para uma água. Foi aí que vimos que não dava pra trocar dinheiro pelo câmbio oficial (apenas AR$3,00 por Real), senão nossa viagem ficaria cara demais. 

Seguimos para nosso hotel na Recoleta e, depois de instalados, eles nos recomendaram uma casa de câmbio próxima. Ela fica na Calle Junín, quase em frente à saída do estacionamento do Recoleta Mall. Trocamos várias vezes lá (AR$3,60 por Real) e não tivemos nenhum problema.


Nada supera a Calle Florida em termos de quantidade de lugares para troca de dinheiro, mas essa nem sempre é a melhor opção, principalmente no quesito segurança. Ela é o paraíso dos arbolitos, pois você não anda 10 metros sem encontrar um monte. São tantos que a gente acaba ouvido vozes repetindo "câmbio, câmbio, câmbio ...." até onde eles não estão (kkk).

Quando nos hospedamos no Microcentro, bem próximo à Calle Florida, tivemos a opção de troca de Real por pesos no próprio hotel (pagaram AR$3,50 por Real). Não dá pra dizer que foi um excelente negócio, mas foi muito seguro.


Outra opção de troca de dinheiro são os bancos. Eles oferecem uma cotação intermediária entre as casas de câmbio e a cotação blue. Conseguimos AR$3,40 num banco em Mendoza.


O mais importante quando você for trocar dinheiro é ter total atenção. Não se intimide e conte o dinheiro dentro da casa de câmbio na presença da atendente. Não se esqueça também de verificar se as notas têm marca-d'água, principalmente as de AR$100,00 que são as mais falsificadas. Soubemos também de uma casa de câmbio que contou a menos as notas de Reais (deram R$2.300,00 e a atendente disse que só tinha R$2.000,00). Portanto, todo o cuidado será bem-vindo.

Obs.: Alertamos que todas as cotações aqui informadas são pertinentes a março/2015, portanto é importante que o leitor verifique novamente na data de sua viagem.


Compras

Se você está em Buenos Aires e não abre mão de comprar artigos de couro, roupas de grife ou mesmo itens de decoração de vanguarda, mesmo sabendo que não vai pagar barato por isso, temos algumas dicas:

1. Palermo é o bairro para quem quer fazer umas comprinhas mais transadas (comece pelas imediações da Plaza Julio Cortázar);
2. Quer luxo? Então você encontrará o que quer no Patio Bullrich e nos quarteirões entre a Av. Alvear e a Av. del Libertador;
3. Na Villa Crespo há opções de roupas lojas de couro mais em conta. Procure artigos de couro nos outlets da Calle Aguirre (imediações da Gurruchaga);
4. Não descarte as lojas da Florida, pois, apesar de muito turísticas, apresentam algumas promoções interessantes;
5. Na Avenida Córdoba e na Santa Fé você pode encontrar preços interessantes, mas são grandes avenidas, o que vai te fazer gastar bastante sola de sapato para encontrar o que quer;
6. Se você pretende fazer o passeio do Tigre, aproveite e vá ao Shopping Unicenter. Ele fica em San Isidro e tem boas opções de compra;
7. San Telmo é o paraíso pra quem gosta de comprar antiguidades.


Gastronomia e vida noturna

Engana-se quem pensa que só vai encontrar parrillas em Buenos Aires. A cidade faz jus à fama de uma de ser uma das cidades mais cosmopolitas da América Latina e oferece uma infinidade de opções gastronômicas para todos os gostos.

A região que mais gostamos foi sem dúvida Palermo Viejo. Além de muito agradável, a região em torno da Plaza Cortázar é repleta de bares e restaurantes para todos os gostos. O bairro oferece também restaurantes de culinária variada, desde as tradicionais parrillas até a moderníssima cozinha fusion. Não deixe de conhecer também Palermo Hollywood, onde eles estão aparecendo aos montes.

Se você busca restaurantes mais finos, seu bairro é Puerto Madero. Vá se dinheiro não é problema para você.

Há algumas boas opções gastronômicas na Recoleta, mas confesso que nos decepcionamos um pouco. O que mais vimos foram restaurantes "pega-turista". Preços altos, mas qualidade nem tanto.

O bairro do Retiro nos reservou algumas surpresas. Apesar de ter poucas opções, encontramos na Calle Paraguai (próximo à Calle Floridao Tancat, um ótimo restaurante espanhol

No Centro e na região do Congresso você irá encontrar mais restaurantes para o dia-a-dia de quem trabalha. Bons no preço e qualidade razoável.

San Telmo é o bairro das tradições. É onde você irá encontrar maior número de restaurantes com a cara da cidade, ou seja, parillas à vontade.

Alertamos que os restaurantes portenhos cobram o que eles chamam de cubierto. É uma taxa nem sempre barata pelo couvert (na maioria das vezes apenas pãozinho) e uso dos talheres.  

A taxa pelo serviço é opcional e sugerida em 10% da conta. Pague se for bem atendido.

Outra característica marcante da cidade são os seus cafés. São ótimos para experimentar uma sobremesa e curtir a cidade. Já o café propriamente dito, preferimos os nossos.

Outra marca registrada dos hermanos são os helados. Não sei como eles fazem, mas só nos lembramos de ter encontrado sorvetes tão deliciosos na Itália. E olhe que o páreo entre os dois é duro, empate técnico! Outra dica, granizado significa que o sorvete tem raspas ou pedaços de chocolate. Uma delícia!

As baladas portenhas (conhecidas como boliches) têm uma característica particular: começa bem tarde, lá pras 02h00 da manhã. Então nem tente chegar antes disso que vai ficar sozinho. A dica é ir esquentar as baterias antes num bar.

Não dá pra falar da noite portenha sem mencionar o Tango. É uma profusão de opções de características e preços variados que preferimos escrever uma publicação à parte. Aguardem.



Segurança


Buenos Aires é uma cidade para caminhar sem medo. Entretanto, como em qualquer grande cidade do mundo, ela requer alguns cuidados, principalmente em relação aos furtos. O golpe da moda é sujar a roupa do inocente desavisado de mostarda e se oferecer para ajudar enquanto outro leva os seus pertences. 

Há alguns locais que recomendamos mais cuidado:

O primeiro é em relação aos furtos na região da Calle Florida. Por ser repleta de gente a qualquer hora do dia (e até da noite), acaba sendo muito propícia para furtos e golpes como o da mostarda.

Bem próxima à Floridaa estação Retiro (abaixo da Av. del Libertador) é outro local de preocupação, pois ouvimos relatos de assaltos na região e a parte de trás da estação é bem pobre. Lembro que a proximidade das estações de ônibus ou trem de qualquer lugar do mundo requer mais cuidado devido ao grande fluxo de pessoas. Ressaltamos que caminhamos depois das 22h00 nas regiões do Teatro ColónCafé Tortoni e mesmo na Calle Florida e não vimos absolutamente nada que nos deixasse com medo. Basta ter atenção aos seus pertences.

Já em relação ao Caminito nossas ressalvas são mais sérias que no resto da cidade. Não é aconselhável ir sozinho ao bairro La Boca e à região de San Telmo que faz fronteira com ele (abaixo da Autopista 25 de Mayosem alguém que conheça a região ou mesmo fora do horário comercial. Porém, acrescento que nós caminhamos do estádio La Bombonera ao Caminito com total segurança. É conveniente fazer isso à luz do dia, ficar nas ruas de maior movimento, não se distanciar do Caminino e do estádio, e não atravessar o rio Riachuelo.

O que mais nos entristeceu foi comparar Buenos Aires com o nosso Brasil. Aqui não nos sentimos seguros nem para ir a pé na esquina comprar pão  .....


Transporte


Apesar de meio decadente, a melhor forma de se locomover em Buenos Aires é de metrô, ou Subte como eles o chamam. São 6 linhas que cortam a maior parte das principais atrações da cidade. O valor de uma passagem é de AR$5,00 (R$1,39).

Se você pretende passar mais tempo na cidade, vale à pena você adquirir a Tarjeta Subte, válida também na rede de ônibus municipais. Ele dá descontos crescentes no valor da passagem (quanto mais viagens, mais desconto).

Outra opção de transporte são os táxis. Você irá identificá-los facilmente pela pintura amarela e preta, e são baratos. O lado negativo é a má fama de passarem dinheiro falso e de darem voltas para chegar no destino final. Nossa recomendação é tenha sempre o dinheiro trocado para a corrida e evite pagar com notas de AR$100,00 que são as mais falsificadas. Outra recomendação é procurar utilizar os táxis de empresa (é só observar o nome e telefone pintado nas portas).

Você poderá utilizar também os remises. Eles são mais caros que os táxis, mas bem mais seguros e os carros são normalmente mais novos. Não há identificação no veículo e as corridas tem preço fixo (não há taxímetro). Seu hotel poderá te indicar um empresa confiável.

Se pretende usar o ônibus, a rede é bastante extensa, mas só aceitam pagamento em moedas ou com a tarjeta Subte.



Acompanhe outras publicações da nossa viagem pelo Uruguai e Argentina.




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