quinta-feira, 30 de julho de 2015

Um dia em San Telmo e La Boca, Buenos Aires

É fato que toda cidade do mundo tem seu lugar clichê. E por mais que alguns critiquem, nós os adoramos! Já pensou em conhecer Paris e não passar na Torre Eiffel? Ir a Roma e não jogar uma moedinha na Fontana de Trevi ou visitar o Coliseu? Nem pensar!



Então se é pra falar de bairros clichês de Buenos Aires, hoje vamos passear em dois deles: San Telmo e La Boca.


San Telmo

San Telmo é o centro histórico da Buenos Aires colonial e suas ruas de paralelepípedos, casarões e praças ainda estão lá pra nos contar como era seu passado
. O bairro foi residência dos oficiais coloniais desde que Pedro de Mendoza aportou para fundar a cidade em 1536 até a independência do país.

Um fato de muito orgulho para os portenhos marcou San Telmo no início do século XIX: a expulsão dos ingleses. Prestes a tomar a cidade, eles invadiram San Telmo, mas foram expulsos em definitivo quando chegaram à Calle Defensa. E como os portenhos não tiveram nenhum apoio da Espanha contra os ingleses, despertaram para a luta pela independência do país pouco tempo depois.

Até o final do século XIX, San Telmo era o bairro mais nobre da cidade, mas uma epidemia de febre amarela o devastou e as suas famílias mais abastadas migraram para a Recoleta. Foi então que surgiram conventillos (cortiços) nas mansões abandonadas. Atualmente elas são ocupadas por lojas, albergues e artistas em geral.

A melhor coisa pra se fazer em San Telmo é mesmo caminhar por suas ruas e observar a beleza dos seus casarões. Se for possível escolha um domingo para conhecê-los.

O bairro ainda disputa com La Boca o privilégio de ser o berço do tango no final do século XIX. De certo é que lá estão algumas das melhores tanguerias e milongas da cidade.


Plaza Dorrego

Se San Telmo era o centro histórico da Buenos Aires colonial, a Plaza Dorrego era o seu coração. 
Há bons restaurantes na região que funcionam durante toda a semana e o clima do lugar é ideal para sentar num dos cafés e deixar o tempo passar. Ela é a segunda praça mais antiga de Buenos Aires, só perdendo para a Plaza de MayoEra o ponto de parada das caruagens que chegavam à cidade. 

Todo domingo acontece na Plaza Dorrego a Feria de San Telmo. A famosa feira de antiguidades nasceu em 1970 com apenas 3 expositores. Atualmente são mais de 250. Atrai uma multidão de gente disposta a conferir um dos eventos mais pitorescos da capital portenha. 

Dizem que é muito difícil conseguir licenciar uma barraca para vender na feira (algumas pessoas esperam anos para conseguir uma), tanto que elas são consideradas um patrimônio valioso. E não é tão simples mantê-las, pois precisam cumprir regras para vender no local, como a idade mínima das bugingangas, digo, antiguidades, o próprio dono precisa estar presente na feira, entre outras exigências. Além dos objetos à venda, a feira tem como atração marcante a exibição na rua de ótimos dançarinos e dançarinas de tango. 

Aqui temos um alerta: como em qualquer lugar do mundo, onde tem muitos turistas sempre há gente à espreita de um vacilo para roubá-los. Então vale a regra de que é indispensável ter total atenção aos seus pertences. 

Horário de funcionamento: domingo das 10h00 às 17h00. É fundamental chegar cedo.


El Zanjón de Granados e Casa mínima

Visitar El Zanjón é pra quem gosta de história. Sob as ruínas de uma mansão, foram descobertos e reconstruídos túneis de forma a propiciar aos visitantes uma visão realista do que foi Buenos Aires desde o início do século XVIII. 


A visita engloba a mansão com um típico mobiliário colonial e os túneis. Eles reproduzem parte da vida dos moradores. Estão expostos porcelanas inglesas, azulejos franceses, tubulações africanas, entre outros objetos.

A casa mínima talvez seja a menor casa que você irá ver na sua vida, medindo apenas 2m x 8m. Era originalmente a entrada de carruagens para a mansão vizinha até seu terreno ser doado pelo proprietário aos seus escravos libertos no início do século XIX. É um dos únicos exemplares de arquitetura indígena na cidade. 

Horário de abertura:
Domingo das 13h00-18h00 - visitas guiadas a cada 30 min.
Segunda a sexta-feira das 11h00-16h00 - visitas de hora em hora.



La Boca

O bairro se originou como colônia de escravos africanos em volta do antigo porto na foz do Rio Riachuelo. Foi só no final do século XIX que se tornou reduto dos imigrantes genoveses. Após esta época começou o costume de colorir os barracos feitos de aço e zinco, o que acabou virando uma de suas marcas registradas. Os imigrantes pegavam as sobras das tintas usadas na reforma dos navios no porto ou até roubavam algumas latas para pintar seus casebres. Como se já não bastasse a pobreza do lugar, os barracos eram um forno no verão e uma geladeira no inverno.

Um dos ícones mais adorados no bairro, o pintor Benito Quinquela Martín retrata a vida do seu povo como poucos. Ele adotou La Boca na sua idade adulta. Um dos fatos mais marcantes na sua relação com La Boca ocorreu na década de 1950 quando ele resolveu reunir uns amigos para colorir o bairro e trazer um pouco de alegria para um dos lugares mais pobres da capital portenha. Infelizmente La Boca continua muito pobre até a atualidade.


La Bombonera

Advinha qual é o time que personaliza toda a rivalidade futebolística que o Brasil tem com a Argentina? É o Boca Juniors, sem dúvida. Quem gosta de futebol sabe o quanto os times brasileiros respeitam La BomboneraPode-se dizer que visitar a sede do Boca é um programa obrigatório para quem é fã do esporte bretão, mas é divertido também para quem não é lá tão vidrado assim. 

A visita começa no Museo de la passión boquense. Ele pode ser visitado sem o passeio guiado, porém você não vai se arrepender de fazer o passeio completo. Como era de se esperar, o museu conta a história de um dos times mais vencedores das Américas, do seu estádio e seus principais personagens. Não é tão grandioso como o Museu do Estádio Centenário de Montevidéu, mas é bem legal. 



Em relação à visita guiada, ela é até mais divertida que o museu graças ao bom humor do guia. Mesmo que você seja brasileiro e não entenda nada de espanhol, pode ficar tranquilo, pois ele fala um portunhol perfeito (kkk). Mas é bom se preparar para ouvir piadinhas e provocações clássicas, como a de quem foi o melhor jogador de todos os tempos etc.

Nós já assistimos a muitos jogos no estádio pela televisão, mas mesmo assim é de arrepiar imaginar um jogo com casa cheia. La Bombonera tem este nome devido à sua aparência com uma caixa de bombons. 

Há uma curiosidade em relação às cores do clube na sua fundação. Após muita disputa, eles decidiram que o clube teria as cores da bandeira do primeiro navio a aportar. Sorte que foi um navio sueco. Já pensou se fosse um navio com as cores do seu maior rival, o River Plate?

Após um certo suspense criado pelo guia, começamos a visita pela área das cadeiras VIP. Elas são tão próximas do gramado que dá até para dar uns cascudos no jogador que desagradar a torcida. Incrível!



O estádio tem capacidade para 49 mil expectadores, mas é praticamente impossível conseguir um ingresso para um bom jogo (a não ser pagando muuuuuito caro!), visto que o clube tem mais de 100 mil sócios. Aí já viu, né? Os ingressos não dão nem para os próprios torcedores xeneízesSó são vendidos ingressos de "não-sócios" para os campeonatos que eles são obrigados a oferecer um percentual para a torcida visitante, como a Copa Libertadores e a Copa Sulamericana. Como se não bastasse o pequeno número de ingressos, eles são destinados a uma área que leva sol durante o dia e vento de congelar à noite. 

Diferentemente das arenas modernas, eles mantiveram a área da geral (capacidade de 5.000 torcedores) com um propósito: fica localizada acima dos vestiários do time visitante. Imagine você tentar se concentrar para entrar em campo enquanto ouve uma multidão enlouquecida pulando bem acima da sua cabeça. A geral é a área bem próxima do gol onde todos assistem de pé, pois não há cadeiras e os degraus são bem baixinhos.



A visita aos vestiários foi um pouco decepcionante, pois é praticamente exclusiva de quem paga o pacote "mi foto de boca". Os demais ficam se acotovelando num espaço bem mais restrito.



A visita termina na lanchonete do clube, logo acima do museu onde começou.

Preço da entrada: AR$130 (R$36,12)
Horário de abertura: 10h00-18h00.


El Caminito

Visitar El Caminito é um daqueles "programas de índio" que todo turista precisa fazer. Apesar das cores não serem originais da época da chegada dos imigrantes, o bairro é típico e vale dar uma passadinha nem que seja pra tirar algumas fotos. El Caminito é repleto de artistas vendendo quadros e outras obras do gênero.




Antes que você volte de viagem reclamando da gente, queremos te avisar que a maior parte dos restaurantes são caros e de qualidade duvidosa, tem um monte de dançarinos e dançarinas de tango de segunda categoria, um maradona mais gordinho que o original (!), entre outras figuras doidas pra tirar uns trocados de você. Apesar disso tudo, vá, compre suas lembrancinhas (tem coisa legal), tire as fotos que quiser, caminhe (é mais seguro entre o Caminito e a Magallanes), mas fique atento pra não entrar em fria.




Fundación Proa


O centro de arte contemporânea apresenta principalmente obras de artistas argentinos. Curiosamente não possui acervo fixo. Todas as exibições são temporárias. 

O espaço possui também uma livraria e um café no último andar com uma bela vista do Rio RiachueloFica bem pertinho do Caminito.

Horário de abertura:
Terça a domingo das 11h00-19h00
Entrada no Café e na Livraria, e a Wi-fi são gratuitas.




Segurança

A área sul de San Telmo e principalmente La boca são os mais perigosos entre os bairros turísticos da Capital Portenha. Portanto, se você não quer estragar sua viagem, tome suas precauções. Vale dizer que o risco é relativamente baixo se você não desviar das ruas turísticas, mas basta um descuido e sua viagem estará arruinada. 

Além do perigo de roubo, região é cheia de "espertinhos". Logo na chegada à sede do Boca, nós fomos abordados por um deles nos oferecendo uma "pechincha" (R$300,00!) para visitar o interior do estádio com o privilégio de poder passar mais tempo. Além de pagar menos na visita "oficial", escapamos de entrar no estádio como penetras e perder nosso dinheiro.

Nós recomendamos que evite caminhar sozinho nesta região (exceto nos trechos que já citamos). Como não há metrô disponível, a melhor forma de conhecer o bairro é de táxi. Nós fomos no ônibus turístico Buenos Aires Bus para conhecer o La Bombonera e o Caminito. Descemos no estádio e caminhamos os 600 metros que separam os dois, sempre em linha reta. É bastante tranquilo desde que você não saia do eixo turístico.



Vai viajar para Buenos Aires? Então confira nossas dicas.

Não sabe em que bairro vai se hospedar? Tire aqui suas dúvidas.


Acompanhe outras publicações da nossa viagem pelo Uruguai e Argentina.


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