sábado, 30 de julho de 2016

Bora passear no Recife Antigo?

Sabe aqueles lugares que dão gosto de conhecer, seja por ter alguma coisa que a gente curta ou mesmo pela administração pública ter feito bem o seu papel?


Pois a capital do estado de Pernambuco nos presenteia com um ótimo exemplo de resgate do seu patrimônio histórico. As mudanças foram tão grandes que quem nasceu do final da década de 80 pra cá nem imagina como era o bairro onde a cidade se originou. O Recife transformou uma região semi-abandonada e degradada no seu maior pólo cultural.

É com muito orgulho que apresentamos pra vocês um delicioso roteiro a pé pelas ruas do Bairro do Recife, o nosso RECIFE ANTIGO.

BORA PRA LÁ COMIGO?





Um pouco de história


O Recife nasceu no século XVI graças à necessidade de um porto para exportar o açúcar, o pau-brasil e outros produtos da capitania de Pernambuco. Tanto que suas primeiras edificações foram as casas dos trabalhadores portuários e os armazéns.

Inicialmente a cidade era bastante desordenada, só vindo a ter o seu primeiro planejamento urbanístico no século XVII durante o governo holandês de Maurício de Nassau

O desenho atual do bairro surgiu apenas no início do século XX. Foi então que suas grandes avenidas e seus belos edifícios em estilo neoclássico francês foram construídos. A influência deste estilo é visível também em outras construções espalhadas pela cidade. A grande reforma desta época teve como objetivo principal a construção do novo Porto do Recife, um dos maiores do país até então. O antigo porto funcionava originalmente na foz do Rio Capibaribe e não na região do Marco Zero.

Após viver décadas de grande vigor financeiro, a região entrou em decadência após a instalação do Porto de Suape no sul do estado. Como consequência, seus prédios se deterioraram e o bairro ficou mais conhecido pelos prostíbulos e casas de ferragens do que pela sua arquitetura.

Demorou até meados da década de 90 para seu esplendor começar a ser resgatado com o início dos projetos de revitalização. Desde então a região passou a sediar os principais eventos culturais da cidade, como carnaval, semana santa e festas juninas, além da instalação de ótimos museus, bares, restaurantes etc.

A criação de políticas de incentivos à instalação do Porto Digital no Recife Antigo a partir dos anos 2000 também deu uma grande contribuição para a revitalização da região. Atualmente o Recife possui um dos maiores pólos de informática do país e boa parte das suas empresas estão sediadas no bairro.


O roteiro




Começaremos nosso passeio pelo lugar de onde são medidas todas as distâncias para a capital pernambucana: a PRAÇA DO MARCO ZERO.



Primeiramente vamos até o centro da praça para observar seu piso em mais detalhes. Estamos sobre uma bela Rosa dos Ventos de autoria do pernambucano Cícero Dias, um dos pioneiros do modernismo no Brasil. 



O desenho da praça foi inspirado na sua obra "eu vi o mundo...e ele começava no Recife", bem propício para a fama (injusta!) de megalomania do pernambucano. Já que tocamos no assunto, você sabia que os rios Capibaribe e Beberibe se unem no Recife para formar o Oceano Atlântico? Vou logo dizendo que nem ouse falar pra um pernambucano que não acredita nisso.

Agora vamos caminhar no sentido norte da praça, à esquerda de quem olha para o mar. Estamos diante do Centro de Artesanato de Pernambuco. Ele está instalado onde funcionou o antigo armazém 11 do Porto do Recife.



O CAPE expõe trabalhos de cerca de 350 artistas locais. Vale dizer que dificilmente você encontrará pechinchas por lá, mas com certeza terá uma ótima mostra do artesanato do estado. É bom pra quem quer comprar e não tem tempo de procurar.

Bem em frente ao CAPE, encontramos a estátua do Barão do Rio Branco. Antes da revitalização da Praça do Marco Zero e da instalação da Rosa dos Ventos, ele era o dono do pedaço. Até hoje o nome oficial do lugar é Praça Barão do Rio Branco em homenagem ao ilustre personagem da história do Brasil.



Prosseguindo no sentido anti-horário, destacamos o edifício da Caixa Cultural. Este é um dos meus preferidos, principalmente no final da tarde quando o prédio fica todo iluminado. Coisa linda de se ver!



A Caixa Cultural está instalada na antiga Bolsa de Valores de Pernambuco e da Paraíba. Sua construção é de 1912 em estilo eclético, típica do início do século XX. Possui dois pavimentos de galerias de arte, teatro e salas para eventos. Exibe ótimas mostras temporárias. Vale à pena você conferir a programação (veja mais detalhes no final desta publicação).

Um pouco mais à esquerda, podemos ver o prédio onde funciona a Associação Comercial de PE. A construção foi iniciada em 1913. Alguns vitrais internos são ingleses e exibem os ciclos econômicos do estado de Pernambuco. 



Na esquina seguinte podemos ver um prédio num curioso formato de ferro de passar. Ele sediou originalmente o River Plate Bank. Nós já estivemos no seu interior e a sensação é meio esquisita, pois parece que você está dentro de uma sanduicheira vertical. 

O prédio sediou o Espaço Cultural Bandepe e depois o Santander Cultural até o seu fechamento ao público. Bandepe é a sigla do Banco do Estado de Pernambuco, um dos maiores do estado até a onda de privatizações na década de 90.



O edifício divide as duas principais vias do bairro: as avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco



Esta área foi reconstruída na grande reforma urbanística do início do século XX. Adoramos caminhar por elas observando a arquitetura dos prédios. É verdade que alguns estão precisando de reforma urgente e outros deram lugar para prédios sem graça, mas há muitas preciosidades a serem admiradas.

Av. Rio Branco foi fechada recentemente para o trânsito de veículos e oferece um ótimo espaço de lazer nos finais de semana. Durante os dias de labuta, dá pra caminhar com bastante calma sem se preocupar em não ser atropelado.

Continuando nosso giro pelo Marco Zero, chegamos ao lado sul da praça. Deste lado, os antigos armazéns do porto deram lugar a vários bares e restaurantes. O lugar é muito legal para almoçar ou mesmo curtir o final de tarde. A vista é matadora!


Terminando o giro, temos à nossa frente o inconfundível Parque das Esculturas de Francisco Brennand. Sugerimos que você pegue um dos barquinhos que fazem plantão no Marco Zero para ver mais de perto a Coluna de Cristal. Ela é uma homenagem do artista aos 500 anos do descobrimento do Brasil

Aqui temos apenas uma amostra da obra do polêmico artista pernambucano. A visita à sua oficina é um dos passeios mais curiosos pra quem visita o Recife. Nós estivemos lá e contamos tudo pra você numa publicação exclusiva.


Agora é hora de gastar sola de sapato. Vamos caminhar até um dos melhores lugares para visitar no bairro: o MUSEU CAIS DO SERTÃO. Para saber mais sobre ele, leia nossa publicação exclusiva.



Saindo do Cais do Sertão, cruzamos a avenida em direção à PRAÇA DO ARSENAL DA MARINHA. É uma das obras do paisagista Burle Marx no Recife.



Na nossa primeira parada iremos conhecer um importante registro arqueológico: o museu a céu aberto. Ele mostra resquícios do que foi a muralha de proteção do bairro na época dos holandeses (séc. XVII). 



Outro destaque da Praça do Arsenal é a inconfundível Torre de Malakoff. A construção em estilo oriental é de 1853 e leva este nome devido à sua semelhança com uma fortificação utilizada na guerra da Criméia (1854-55) para defesa da cidade de Sabastopol. Essa eu aposto que você não sabia. 



A torre já foi utilizada como sede da Capitania dos Portos. Atualmente funciona como espaço cultural voltado para crianças e adolescentes.

Do outro lado da praça encontramos outra atração obrigatória do Recife. O Paço do Frevo é a casa do ritmo mais conhecido de Pernambuco. Visite nossa publicação para saber mais sobre ele.



Bem na esquina vizinha ao Paço, encontramos um clássico recifense: As Galerias e o seu famoso maltado (sorvete de creme, leite maltado e malte de chocolate). A lanchonete existe desde 1928 e é patrimônio cultural do Recife. Vale a parada pra experimentar. 



Na esquina ao lado há um posto de Informações Turísticas e mais adiante a Embaixada de Pernambuco. São ótimos lugares pra você se informar melhor sobre a cidade.



É hora de caminhar pela rua mais antiga do Recife: a RUA DO BOM JESUS. 



Ela teve tantos nomes na sua história, mas nenhum deles marcou mais do que o que recebeu nos tempos holandeses: Rua dos Judeus. Ela era o principal reduto da comunidade judia durante os tempos de Maurício de Nassau. Seu nome atualRua do Bom Jesus, data de 1870. 

Como é originária do séc. XVII, possui arquitetura bem diferente do estilo francês dos edifícios das avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco, construídos no início do século XX

A Rua do Bom Jesus é também o principal pólo do carnaval recifense. Aqui encontramos também a Sinagora Kahal Zur Israel, a primeira das Américas,...



... e a Embaixada dos bonecos gigantes. A casa exibe uma amostra dos famosos bonecos do carnaval olindense. 


Se você tiver a oportunidade de visitar a Rua do Bom Jesus num dia de domingo, poderá curtir também a sua tradicional feira típica, ótima para comer guloseimas e comprar artesanato.

Vamos deixar a Rua Bom Jesus e entrar à direita na Rio Branco. Caminhamos até o seu final e entramos à esquerda na Rua Madre de Deus. Aqui temos vários destaques, como o Centro Cultural dos Correios (infelizmente fechado), ... 



... o Chanteclair (passando por uma "eterna" restauração) ...


e a Igreja Madre de Deus. Seu interior é belíssimo e exibe no altar um oratório com o padroeiro da paróquia. É uma das mais bonitas da cidade, talvez por isso seja a preferida dos recifenses abastados (e outros nem tanto) para casar seus filhos. 



A Igreja da Madre de Deus foi construída em 1709 em estilo colonial. Além de todo seu patrimônio histórico/religioso, guarda algumas imagens oriundas da Igreja do Corpo Santo, a mais antiga de Recife, infelizmente demolida em 1913 nas obras do porto.

Ainda na Rua da Madre de Deus encontramos um dos mais belos edifícios coloniais da cidade: o PAÇO ALFÂNDEGA


A construção data de 1732. Ele serviu por mais de 100 anos como convento da ordem dos Oratorianosalfândega (de 1826 até a transferência do porto para beira-mar), armazém e estacionamento. Sua última reforma o transformou no lindo centro de compras. Esta era a região do porto do Recife antes da reforma do início do século XX.

Se você estiver do lado do rio irá observar um obelisco no extremo da ilha, quase na ponte em direção ao bairro de São José. Ele foi uma homenagem da Comunidade Portuguesa aos 350 anos da Restauração Pernambucana (expulsão dos holandeses).



Bem na frente do Paço do lado da Rua da Madre de Deus, terminamos nosso passeio na rua mais alternativa e boêmia do Recife Antigo: a Rua da Moeda. Não há lugar mais propício para homenagear o criador de um dos ritmos mais revolucionários das últimas décadas, o Mangue Beat. Eis Chico Science! 



Informações importantes

TRÂNSITO
Fique atento às placas de velocidade da região do Recife Antigo, pois a maioria das ruas e avenidas tem limitação de 30 Km/hora. O bairro é repleto de radares de monitoramento de velocidade.

SEGURANÇA
Apesar do Recife Antigo ser policiado, seu entorno não é seguro. Além dos cuidados de praxe que tomamos em qualquer região do mundo, recomendamos que o turista não se aventure por ruas desertas nem se distancie para não correr riscos desnecessários. Chamamos a atenção principalmente nas proximidades do Forte do Brumdo Terminal Marítimo de Passageiros.




ATRAÇÕES

Barcos para o Parque das esculturas
Horário: 07-19h
Preço: de R$5,00 (ida e volta) / R$6,00 com bicicleta

Centro de Artesanato de Pernambuco - CAPE
Horário: Diariamente das 10-22h
Fone: (81) 3425-1906
Entrada: grátis
www.artesanatodepernambuco.pe.gov.br

Caixa Cultural Recife
Horário: terça-sábado das 10-20h e domingos das 10-17h
Fone: (81) 3425-1900
Entrada: grátis
www.caixacultural.com.br

Embaixada dos bonecos gigantes
Horário: diariamente das 08h-18h
Fone: (81) 3441-5102
Entrada: R$10,00
www.bonecosgigantesdeolinda.com.br

Igreja Madre de Deus
Horário: terça-sexta das 08-12h e das 14-17h, e nos domingos das 08-12h
Fone: (81) 3224-5587
Entrada: grátis

Torre de Malakoff
Horário: terça-sexta das 10-18h, sábados das 15-18h e domingos das 15-19h.
Visitas guiadas: terça-sexta das 10-11h e 14-17h. 
Observatório astronômico funciona aos domingos das 16-19h30 (a cada 30 min). É necessário agendar.
Fone: (81) 3184-3180
Entrada: grátis
www.facebook.com/torremalakoff.



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