sábado, 24 de janeiro de 2015

Museu Cais do Sertão, Recife

Inaugurado em abril de 2014, o Museu Cais do Sertão é um daqueles lugares para se orgulhar da nossa cultura, tanto pela merecida homenagem feita ao povo sertanejo, como pela menção honrosa ao músico Luiz Gonzagaconhecido também como "Lua", "Seu Luiz" e principalmente o Rei do Baião, ritmo musical criado por ele e típico da região. 



O #Caisdosertão é #Pernambuco na veia! Nasci na zona-da-mata de Pernambuco, mas também #Sousertão!


O mergulho no mundo sertanejo começa com o enorme juazeiro seco de mais de 10 toneladas transportada do seu habitat e colocado na entrada do museu. Por este motivo é chamada de Praça do Juazeiro. Para quem não conhece, a árvore é típica da caatinga, vegetação que só é encontrada no sertão nordestino.



O museu é dividido em seis espaços. Vamos a eles:

Logo na recepção, você verá o belo painel com toda a indumentária e instrumentos musicais utilizados por "Seu Luiz" durante a sua carreira, com destaque para a famosa sanfona de 120 baixos. Há também objetos de uso pessoal dele e da família. O painel é conhecido como jóias da coroa.



Após o painel, é hora de mergulhar no universo do sertanejo pernambucano através do filme "um dia no sertão", de autoria do cineasta Marcelo Gomes. A apresentação é feita na sala sertão-mundo, uma tela gigante com ângulo de 240 graus, e tem duração de 16 min. Tudo pra inserir o visitante no clima do lugar.

O espaço seguinte é o mundo do sertão que retrata as principais dimensões da vida do povo sertanejo. Para tanto, foi separado em sete temas: viver, trabalhar, criar, crer, cantar, ocupar e migrar.

Viver

casa do transtempo nos remete a uma típica casa de uma família pobre nordestina. Destaco alguns itens que eu convivi durante a minha infância na região da zona-da-mata: retratos de família, uma quartinha (garrafão para guardar água de beber), candeeiro, rádio, vitrola entre outros objetos.



Trabalhar

Aqui estão expostas cerca de 50 ferramentas de trabalho do sertanejo. Para maiores informações há equipamentos multimídia que explicam cada objeto. 



Não perca também o filme "a feira" do cineasta Kleber Mendonça Filho. A exibição de 9 min é num túnel formado por 14 monitores de alta definição que inserem o expectador numa típica feira do sertão do estado. Acreditem: vende-se de melancia a armas de fogo.

Há ainda um jogo interativo "com e sem água" que trata das soluções para a falta deste bem tão precioso, muito adequado a este momento.

Se você já ouviu a expressão "mais furado que tábua de pirulito", mas não sabe nem o que é pirulito, aqui está uma. Em Pernambuco, pirulito é um bom-bom de açúcar caramelizado em formato de guarda-chuva.



Criar

Aqui estão alguns painéis com obras de grandes artesãos sertanejos, como Mestre Vitalino (cedidas pela Fundação Joaquim Nabuco), e uma estação multimídia com obras que retratam o sertão.


Crer

É o espaço reservado para as crenças do homem do sertão em sua relação com o sagrado. 

Uma das coisas que mais chamam a atenção logo que você entra no museu é o túnel do capeta, uma passagem feita de espelhos e monitores. 

Ele representa a crença de que o "coisa ruim" tem várias formas e nomes, assim como as pessoas. Dentro dele você ouve suas várias denominações e se vê nas imagens, ora refletida num espelho, ora fruto de uma filmagem (observe o retardo em relação à posição que você está). O sertanejo, assim como eu, evita chamá-lo pelo seu nome mais conhecido: Di... (vixe! Deus me guarde!). Isso sem falar no medo de assombração...



Outra imagem marcante é a do bosque santo, homenagem aos paus-mastros das festas de Santo Antônio, São João e São Pedro. Para quem é daqui, não lembra um pau-de-sebo das festas de interior?


A parede ao fundo do bosque santo exibe uma belíssima e inusitada obra de autoria de J. Borges: a matriz de uma xilogravura (o comum é vermos a própria xilogravura e não sua matriz). A xilogravura é como uma espécie de carimbo feito a partir de uma peça em madeira.


Cantar

O espaço dna do baião conta a história do ritmo criado e popularizado por Luiz Gonzaga, e toda a evolução de sua obra.



túnel das origens exibe um filme de 13 min de autoria de Carlos Nader, com os sons que formaram o baião e novos músicos que se inspiraram em "Seu Luiz". 

O setor possui também uns tambores onde se pode ouvir a voz do músico (parecem uns tanques de óleo).




Ocupar

Uma maquete reproduz o relevo e painéis explicam sobre a geografia e história do sertão. Um destaque importante é que no chão do museu há a reprodução do Rio São Francisco (o traçado é real!). É bom tomar cuidado por onde pisa...



Migrar

O último tema da vida do sertanejo fica no primeiro andar do museu. Mostra retratos e depoimentos de migrantes nordestinos famosos e anônimos.



Continuando nosso passeio, você verá o belo painel rua do cais, de autoria de Derlon Almeida. 



No lado oposto a escada, encontramos a sala imbalança, onde você terá uma experiência sensorial única: conhecer e experimentar (com a ajuda dos monitores) os ritmos e instrumentos imortalizados pelo "Lua". 



Continuando a experiência sensorial, chegamos ao espaço baião de todos, onde se pode fazer uma "destruição criativa" das músicas de "Seu Luiz". É possível brincar com os sons dos instrumentos e reconstruir suas músicas.

Há ainda o karaokê sertanejo, seis miniestúdios com equipamentos para gravação disponíveis para os visitantes. É só soltar a voz!



Terminamos nosso passeio no painel Todo Gonzaga, onde está exposta a discografia completa do Rei do Baião.



O projeto original do museu prevê a criação de dois prédios interligados, mas até a data desta publicação apenas o primeiro módulo de 2 mil mestava concluído. O segundo terá 5,5 mil m2 com salas de convivência, cafés, restaurantes, auditório, salas para oficinas e cursos etc.  

A obra de R$97 milhões financiada pelo Ministério da Cultura e Governo de PE tem como curadora e diretora de criação Isa Grispum Ferraz, a mesma do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo. A ideia original foi do antropólogo Antônio Risério.

Um dos únicos pontos negativos que tivemos nas nossas visitas foi o calor, pois, em uma delas, eles estavam com três dos cinco ar-condicionados quebrados. Esperamos que isto tenha sido corrigido e que não volte a ocorrer.


Informações úteis

Sítiowww.caisdosertao.com.br

Endereço: Avenida Alfredo Lisboa s/n, bairro do Recife.



Referência: Seguindo no sentido da Avenida Alfredo Lisboa, fica no antigo Armazém 10 do porto do Recife, logo depois do marco zero.

Telefone: (81) 3089-2974

Tempo previsto para a visita: Mínimo 1 hora. 
Sugerimos você reservar pelo menos 2 hs para ter tempo de assistir aos vídeos e brincar com as músicas de Luiz Gonzaga nas seções baião de todos e karaoquê sertanejo.

Horário de Funcionamento
  • terça das 09h00 às 21h00 (*)
  • quarta a sexta das 09h00 às 17h00 
  • sábado das 13h00 às 19h00 
  • domingo das 11h00 às 19h00
  • Fecha às segundas-feiras.
O CAIS DO SERTÃO está temporariamente aberto em horário reduzido (quinta a domingo das 11h00 às 17h00) devido ao encerramento do contrato com a empresa que o administrava. O Governo do Estado promete abertura de nova licitação nos próximos 90 dias e retorno aos horários normais.

Preço
  • R$8,00 (não aceita cartões) 
  • R$4,00 (meia entrada) para menores de seis anos, idosos a partir de 60 anos, estudantes, professores, deficientes e profissionais de museus e de turismo 
  • (*) Terças-feiras de graça para todos.


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