segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Recife Sagrado: Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Você toparia viajar uns 400 anos no passado? Sim? Então vamos ligar nossa máquina do tempo para o século XVII, mais especificamente para o ano de 1630 quando a igreja que iremos visitar agora começou a ser construída.

Chegamos à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, segunda etapa do roteiro do projeto Recife Sagrado. Esta é uma das igrejas mais antigas e preservadas de Pernambuco.



A sua importância para a cultura do estado não é somente religiosa. Ela também diz respeito à nossa herança africana, pois a história dos blocos de maracatu e batuques do Carnaval pernambucano está diretamente ligada a ela. 


BORA PRA LÁ COMIGO?



Roteiro

O Projeto RECIFE SAGRADO foi criado pela Prefeitura do Recife com a finalidade colocar estudantes de turismo, arquitetura ou história à disposição dos visitantes em algumas das principais igrejas do Recife. Nós percorremos as igrejas do projeto e traremos para você o que cada uma tem de melhor.


Fazem parte do Recife Sagrado: Basílica de Nossa Senhora da Penha, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Basílica de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de Santa Tereza D'Ávila, Capela Dourada e Igreja da Madre de Deus.





Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos


Antes de começar nossa visita, vamos falar um pouquinho de história:

Após a implantação das Capitanias Hereditárias no século XVI, o Brasil passou a receber uma grande quantidade de escravos negros vindos da África com o objetivo de fornecer mão-de-obra para a agricultura. Se já não bastasse o sofrimento por terem sido arrancados da sua terra natal, eles também não podiam frequentar os templos religiosos dos brancos nem tão pouco manifestar suas crenças. 

Aqui em Pernambuco os escravos negros decidiram construir um templo onde pudessem frequentar livremente e orar. A desejada igreja começou a ser construída em 1630 por iniciativa da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

A primeira grande dificuldade foi conseguir fundos para viabilizar um templo tão belo e rico quanto os da nobreza, pois eles estavam decididos até mesmo a trazer de Lisboa o material necessário para cobrir a capela-mor de ouro. Para isso trabalhavam por qualquer coisa que fosse revertida em recursos financeiros ou materiais para a obra. Vale acrescentar que o culto dos escravos à Nossa Senhora do Rosário teve origem na sua catequese pelos jesuítas.

Uma das provas da longevidade da igreja são os registros de que Henrique Dias, um dos heróis da Insurreição Pernambucana, comemorou aqui a festa da padroeira em 1645. Entretanto, ela só foi oficialmente fundada entre os anos de 1662 e 1667 durante o reinado de D. Alfonso VI de Portugal (há uma imagem dele na sacristia). Foi ele quem autorizou os negros a manifestarem suas crenças, dentre às quais a cerimônia de coroação dos Reis do Congo.

A construção atual da igreja não é a original. Em 1739 a fachada estava por ruir e foi necessária uma grande reforma para repará-la. A reconstrução demorou de 1755 até 1777 e acabou tornando a igreja um dos mais belos exemplos barrocos de Pernambuco. Além da reconstrução do frontispício, a igreja recebeu grandes artesãos dedicados à recuperação do seu interior. 


Quem chega à igreja pela rua Larga do Rosário pode contemplar seus primeiros destaques: a fachada tipicamente barroca e a imagem da padroeira Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (da época da fundação da igreja).



Bora conhecê-la por dentro? Então vem comigo.



Além do altar-mor, igreja possui cinco altares em madeira de jacarandá com detalhes dourados (o quinto fica na entrada). 

Há um detalhe importante que a distingue das demais igrejas recifenses: a quantidade de imagens de santos negros. Exceto Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Boa Hora e São Domingos, todas as outras imagens são de santos negros. Estão presentes Santa Ifigênia, Santo Elesbão, Santo Antonio de Catalagirona, São Benedito (a imagem é de 1753), São Baltazar e São Moisés. Um desses altares é dedicado exclusivamente a eles.



O Altar Principal é um dos mais belos exemplos do barroco na cidade de Recife. Foi talhado em madeira e até pouco tempo era pintado de branco. Felizmente teve a cor de madeira restaurada. 



O maior destaque do altar-mor é mesmo a bela imagem da padroeira Nossa Senhora do Rosário talhada em madeira.



Recomendo que você se sente em um dos bancos da igreja pra poder apreciar o belo painel pintado no forro. Ele representa a Virgem Maria com anjos mulatos entregando o rosário a São Domingos, inspirador da Ordem.



O piso da igreja é outro detalhe que não passa desapercebido. É original da época de sua construção. Imagine quanta história passou por aqui.



Depois de visitar a igreja, não deixe de conhecer a sacristia com seus móveis coloniais ...



... e a imagem de D. Alfonso VI (eita bichinho feio!).



Não poderíamos finalizar sem antes falar sobre a origem dos blocos de maracatu. As festas da Irmandade eram constituídas por danças e batuques proibidos pela Inquisição da Igreja Católica. Porém, aqui no Brasil, eles foram autorizados a conservar as festas de coroação dos Reis do Congo e todos os seus símbolos, dentre eles as procissões que perduram até os dias de hoje. E onde entra a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos nessa história? Ela era o ponto de partida dos cortejos. A cerimônia é considerada como uma das que deram origem aos blocos de maracatu de baque virado do Carnaval pernambucano. 





OUTRAS INFORMAÇÕES


A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos se localiza numa das principais regiões de comércio popular da capital pernambucana, portanto com um intenso fluxo de pessoas. Para não ter problemas com segurança, convém ter cuidado ao expor celulares, máquinas fotográficas e outros equipamentos do gênero.

Tive certa dificuldade para conseguir conhecê-la por um motivo sus generis: o horário da missa. Após três dias consecutivos dando de cara com a cerimônia, resolvi procurar alguma informação e descobri que as missas acontecem de segunda a sexta-feira. Tudo bem, eu reconheço que poderia ter perguntado desde a primeira vez, que isso é coisa de homem que não gosta de perguntar e blá, blá, blá. Felizmente tudo acabou bem, pois as missas são muito bem celebradas e a igreja está sempre lotada. Mérito do padre, um mestre em transmitir a palavra de Deus na linguagem que o povo gosta de ouvir. 



Endereço: Rua Larga do Rosário, s/n, Bairro de Santo Antônio
Telefone: (81) 3224-3929
Horário das Missas: segunda a sexta-feira às 12h, quinta-feira às 12h e 15h

Horário de visita: segunda a sexta-feira de 08h30-16h.



#Recife #RecifeSagrado #NossaSenhoradoRosariodospretos

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