terça-feira, 30 de outubro de 2018

Pomerode, um pedacinho da Alemanha no Brasil

Nosso desejo de conhecer o estado de Santa Catarina não era recente, embora por um motivo diferente da maioria dos viajantes. Não foram as praias que despertaram nossa curiosidade, mas sim as marcas da colonização europeia. Vale dizer que não temos nada contra as praias catarinenses, mas quem nasceu e mora em Pernambuco acaba ficando meio "luxento" quando o assunto é praia.

Nossa viagem pela região sul começa por uma cidade que é um sonho: Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil!




Pomerode já estava na nossa lista de desejos quando o Globo Repórter fez um programa sobre o Vale Europeu em Santa Catarina. Foi então que atentamos que seus moradores tem uma qualidade de vida invejável. Nós tivemos a oportunidade de comprovar o quanto isso é verdade. Dá pra imaginar que aqui mesmo no Brasil se pode deixar a casa aberta sem medo de ser assaltado? A região tem ainda desemprego perto de zero e um povo muito orgulhoso das suas origens.

História

O início da ocupação da região foi em 1863 com a família Lüebke, na mesma época que Hermann Otto Blumenau iniciou a colonização de Blumenau. A ocupação do Vale do Rio do Testo era estratégica para ligar a região a de Joinville.

Seu nome remonta à origem de seus colonizadores. A Pomerânia, ou Pommern em alemão, estendia-se pelos atuais nordeste da Alemanha e noroeste da Polônia. Ela deixou de existir desde o redesenho das fronteiras europeias no final da Segunda Guerra Mundial.

Naquela época, a vida não era nada fácil por lá. Pode-se dizer que viviam em condições quase sub-humanas, tamanha era a exploração do trabalho pelos grandes senhores de terra. Outro fator decisivo foram as sucessivas guerras e o esgotamento da capacidade produtiva da terra. A região era sobretudo agrícola.

Hoje em dia, felizmente, viver em Pomerode não lembra em nada as dificuldades de então. Basta perguntar a algum de seus quase 30 mil habitantes se quer sair de lá. É muito justo que seja conhecida como a "cidade mais alemã do Brasil". Bora descobrir por que?


Atrações

Começamos nosso passeio em Pomerode pelo Portal na praça da Prefeitura (Praça Jorge Lacerda). O Portal abriga a Secretaria Municipal de Turismo da cidade. Aproveite para pegar um mapa e dicas da região.



Ainda na praça, tire uma selfie do nome da cidade. Vai ficar lindo!



Seguindo pela Rua XV de novembro, vamos dar uma paradinha bem calórica na confeitaria Torten Paradies (no. 350). Eles servem buffet no peso e tortas diversas em fatias. É uma perdição para qualquer regime!


Ah, não deixe de provar a cuca de nozes!

Vamos caminhar até a esquina seguinte. Aqui te indicamos um lugar muito honesto para almoçar. O Restaurante Schroeder oferece almoço sem balança por um ótimo preço. Chegue antes das 14hs.



Entramos na Rua Paulo Zimmermann e cruzamos o Rio do Testo para visitar o Museu Pomerano (fecha às segundas-feiras). Aqui é uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre a colonização alemã.



O museu mostra como era a vida na época da colonização.



Tem até carro fúnebre, carroças e ferramentas utilizadas na agricultura.




Saindo do museu, há duas ótimas opções para as crianças: a Vila Encantada e o Zoo Pomerode

A Vila Encantada é um parque temático que oferece diversas atrações, como dinossauros e piratas. O Zoo é um dos mais antigos e maior do estado com cerca de 1.400 animais e 230 espécies diferentes. Vale à pena, principalmente para os pequeninos. Como decidimos passar apenas um dia na cidade, infelizmente não deu para visitá-los. 

Nossa próxima parada fica um pouco distante de onde estamos (cerca de 4 Km.). Vamos para o Museu Casa do Imigrante Carl Weege


A ambientação da casa reproduz como se vivia na época dos colonizadores. A casa é a mesma onde a Família Weege morou. Para nossa sorte, eles preservaram até hoje esse pedaço da história de seus antepassados.



Dá até pra imaginar a oma preparando uns quitutes para a criançada.



Seguimos finalmente para um dos principais motivos que nos levou a Pomerode: a Rota Enxaimel




O ideal para curtir o trajeto é de carro ou bicicleta. A rota fica no Bairro Testo Alto, beirando o Rio do Testo. Durante seu trajeto de 16 Km, pode-se contemplar parte do maior acervo enxaimel fora da Alemanha. São cerca de 50 edificações apenas na Rota Enxaimel (mais de 200 em toda a cidade). Apesar de ser quase totalmente contemplativa, pois são poucas as casas cuja visitação é permitida, o passeio nos remete facilmente ao velho continente. 

A arquitetura enxaimel se caracteriza por uma estrutura de madeira preenchida por tijolos, originalmente sem argamassa. O objetivo era facilitar a locomoção e o desmonte das casas após o esgotamento agrícola da região. Há algumas gravuras e maquetes no Museu Pomerano que explicam bem o processo.

Nosso passeio começa no Pórtico do imigrante Wolfgang Weege. A construção é uma cópia em tamanho original do Portal de Stettin, capital da antiga Pomerânia.

Uma das casas que se pode visitar é a Casa da família SiewertA propriedade recebe os visitantes para contar um pouco da história dos colonos até os dias atuais. Há também venda de produtos coloniais e artesanato.


A Pousada Casa Wachholz é a casa mais antiga do bairro (1867). A hospedagem é ideal para quem quiser experimentar um pouco da vida tranquila do campo em ambiente muito familiar.

Outra paradinha legal é a Delicaten Haus. É o lugar pra abusar dos biscoitinhos caseiros.



Pra quem gosta de história, a Igreja Luterana de Testo Alto e o Cemitério dos imigrantes testemunharam a vida (e morte) dos pomeranos desde os primeiros moradores.


Informações importantes

Como chegar

Para quem vem de Blumenau, a distância é de apenas 30 Km pela SC-421. Dá pra fazer um bate-e-volta fácil-fácil, seja de carro ou de ônibus.

Se você pretende vir de avião, o aeroporto mais próximo é o de Navegantes. Fica a 75 Km pela BR-470 e depois SC-421 a partir de Blumenau. 

Outra opção, normalmente com voos mais em conta, é o aeroporto de Florianópolis. Neste caso vai pesar a distância, pois ela pula para 178 Km (aproximadamente 3 hs.). É uma boa pedida para quem pretende conhecer também a capital catarinense. A indicação de trajeto é a BR-101 até Navegantes, depois BR-470 e SC-421 a partir de Blumenau.

Nós optamos por desembarcar em Curitiba (182 Km) porque pretendíamos rever a capital paraense (vem publicação por aí!). Utilizamos a BR-376 e BR-101 até Joinville; Rodovia dos Portugueses (SC-108), Rodovia do Arroz e BR-280 até Jaraguá do Sul; SC-416 até Pomerode. São aproximadamente 3 hs de viagem.

Onde ficar

Nós preferimos nos hospedar em Blumenau por ser uma cidade com mais estrutura e ficar localizada numa posição central em relação ao Vale Europeu. Nós nos hospedamos no Himmelblau Palace Hotel. Ficamos muito felizes com a escolha, tanto pela localização e infraestrutura do hotel quanto pela forma como fomos recebidos.

Se você deseja se hospedar em Pomerode, há opções para todos os gostos. É o ideal para quem quiser experimentar um pouco da vida típica de interior. 




Gastronomia

A culinária da região é um capítulo à parte, pois Pomerode é considerada o maior polo gastronômico do Vale Europeu. Tivemos a oportunidade de degustar a típica comida alemã, além de nos deliciarmos com suas cucas e tortas.

Se deseja visitar a cidade numa época mais animada, a Festa Pomerana acontece em janeiro.


#Borapralacomigo #ValeEuropeu #Pomerode #GloboReporter

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