sábado, 31 de agosto de 2013

Paris (opções noturnas)

Confesso: se tem uma coisa que eu nunca fui nesta vida é boêmio, mas sabe como é, não dá pra perder a chance de estar numa das capitais culturais do mundo sem curtir um pouco da sua noite. 

Hoje vamos conversar um pouco sobre quatro dos principais cabarés parisienses e sobre duas casas de espetáculo que tivemos a oportunidade de conhecer neste ano, a Salle Pleyel e o Palais des Congres.


Os cabarés

Na França os cabarets são estabelecimentos onde se come e bebe assistindo a espetáculos temáticos e sensuais. Essa é a arte da sedução trazida para os palcos: Burlesque. É muito diferente da conotação puramente sexual que temos aqui no Brasil, mas nem sempre foi assim.

Sua dança mais representativa é o cancã e provavelmente surgiu no séc. XVI na Bretanha. Chegou a Paris em sua versão mais libidinosa na primeira metade do séc. XIX durante a Belle Époque quando a cidade era conhecida como a cidade do prazer. Inicialmente a dança era apresentada por prostitutas sem a roupa de baixo até que os salões se tornaram respeitáveis e as dançarinas tiveram que vestir roupas bem mais comportadas.

Nesta época os cafés-concerto indiretamente aboliram as barreiras sociais, pois seus baixos preços acabavam por unir ricos e trabalhadores num mesmo ambiente, o que acabou no começo do séc. XX quando o aumento dos preços tornou os cabarés exclusivos dos mais ricos. 

Após décadas em que ficaram um pouco esquecidos, renasceram nos anos 70 na forma de cafés-teatro. Os espetáculos são formados por vários atos distintos, nos quais se apresentam acrobatas, cantores, mágicos, humoristas, dançarinas e dançarinos, entre outras atrações.

Voltando a nossa viagem, dentre tantas opções, tivemos de pesquisar bastante até fazermos nossa escolha. Aqui vamos comentar sobre Le Lido, Paradis LatinLe Moulin Rouge e o Crazy Horse.

Primeiramente o importante é saber o tipo espetáculo ao qual você quer assistir. Em nosso caso, nós queríamos um espetáculo tradicional, sem abuso do erotismo nem excesso de "Hollywoodianismo". Essa combinação nos levou ao Paradis Latin, cujo diferencial é apresentar o típico cancã.

O prédio foi construído por Napoleão Bonaparte em 1802, mas somente em 1887 foi renovado pelo famoso arquiteto Gustave Eiffel (esse sobrenome diz alguma coisa?). A casa de espetáculos foi criada no final do século XIX, mais exatamente em 1889 - auge dos primeiros cafés-concerto. Após uma história turbulenta em que fechou e reabriu as portas mais de uma vez, apenas em 1973 ela encontrou seu lugar definitivo na Rue Cardinal Lemoine.

Um dos principais legados do seu arquiteto foi a sua acústica. Em qualquer lugar que você ficar poderá ouvir o que se passa no palco com perfeição sem a necessidade de qualquer artifício.

A dica de acesso é ir de metrô. As estações Jussier (linha 7) ou Cardinal Lemoine (linha 10) atendem muito bem a este propósito.

Não dá pra negar: alguns trechos do espetáculo são um pouco ridículos, como por exemplo um que se passa no vestiário de uma academia de ginástica ou outro em cima de motocicletas. Ainda assim foi bastante divertido.

O show vale a pena se você quer algo no formato que citei. Outro fator importante é que ele é a opção mais em conta entre os quatro.

Uma recomendação essencial para quem aprecia a bebida é comprar o ingresso com Champagne (meia garrafa por espectador), mas não digo o mesmo em relação ao jantar. Aconselho só comprar o ingresso com jantar caso queira (e/ou possa) esbanjar, pois há restaurantes melhores com preços mais convidativos na cidade.

Tive oportunidade de assistir ao Le Lido na minha primeira viagem à Paris alguns anos atrás. O show é caro, grandioso e bem Hollywoodiano. Fui privilegiado em ficar à beira do palco e ver em detalhes todo o show. De dragão oriental voando acima das nossas cabeças à pista de gelo, o espetáculo é surpreendente, principalmente quando regado a bastante champagne.

O glamour da casa começa pela sua localização na Avenue des Champs Elisées. Não dava para ser uma casa modesta num endereço como este

Aberta desde 1946, faz referência à praia do Lido em Veneza.

Nunca assisti ao Moulin Rouge, mas fui informado por amigos e familiares que o espetáculo não está nos seus melhores dias, apresentando alguns sinais de decadência, seja em seus figurinos envelhecidos como também em alguns cenários carentes de uma atualização. Contudo, é importante ressaltar que não pudemos confirmar esta informação na nossa última viagem. 

Apesar disso, a casa é uma das mais tradicionais da cidade, tendo sido criada em 1889. As pás do famoso moinho ainda dominam a região entre o bairro do Pigalle e Clichy, área conhecida antigamente como centro de Prostituição. Vale ressaltar que atualmente a principal área de prostituição da cidade fica na esquina da Rue Berger com a Rue St-Denis na região do Les Halles, bem longe do Pigalle.

A última opção de cabaré do nosso post é o Crazy HorseEste é para quem está querendo assistir a um show realmente erótico. Criada em 1951, a casa tem como inspiração o "striptease feminino ao estilo americano", como afirma em seu sítio. Não é um lugar para quem tem pudor ou para levar a família, mas pode ser uma opção para quem quer apimentar a relação.

Ah, tem mais um detalhe que eu quase esqueci: seios à mostra é regra em todas as casas.

Maiores detalhes consulte os sítios dos cabarés.


Casas de espetáculo

O segundo tema de hoje é sobre duas casas de espetáculo que tivemos oportunidade de conhecer.

A primeira faz parte de um complexo de teatros para realização de eventos e espetáculos, o Palais des Congres, e é localizado na Place de la Porte Maillot, uma continuação da Av. des Champs Elisées.

A melhor opção para quem vai de metrô é a estação Porte Maillot (linha 1). Esta estação vai lhe deixar dentro do complexo.

O mico do dia foi não irmos no banheiro do teatro antes nem depois do espetáculo porque estava cheio e descobrirmos que, após fecharem as lojas, os banheiros do complexo também fecham. Ridículo!

Na oportunidade assistimos ao ballet Le Lac des Cygnes apresentado pela companhia Le St-Petersbourg Ballet Theatre que é tida como uma das melhores do mundo. Fui porque era desejo da minha companheira de vida, mas definitivamente não me arrependi. Não dá para dizer que me tornei fã deste tipo de espetáculo (até dei umas cochiladas), mas a música de Tchaikovsky tocada por uma orquestra ao vivo já paga o ingresso.

Conheça mais sobre a casa no sítio do Palais des Congres.


A outra casa que conhecemos foi a Salle Pleyel quando assistimos a um espetáculo apresentado pela Orchestre de Paris

Localizada na Rue du Faubourg, sua melhor opção de metrô para chegar a ela é a estação Ternes (linha 2).

Além da casa ser maravilhosa, chamou-me a atenção algo que infelizmente não estamos acostumados aqui no Brasil: segurança em andar nas ruas tarde da noite! Imaginem uma multidão muito bem vestida (alguns com jóias e acessórios de valor) saindo de um teatro após as 23h00 e quase todas voltarem para casa de metrô. O negativo dessa história foi andar de metrô lotado em plena Paris a essa hora da noite. Coisas da "Cité Lumière".

Antecipe o planejamento da sua agenda de espetáculos em Paris no sítio da Salle Pleyel


Opções de compra antecipada de ingressos para estas duas casas no sítio do Ticketnet ou da Fnac Spectacles.


Próximo post escreveremos sobre dois grandes museus e um palácio ricos de história como poucos no mundo: Le Louvre, D'Orsay e Versailles

Quer saber mais sobre nossa viagem ao país mais visitado do mundo, veja o resumo da viagem.





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