sábado, 27 de julho de 2013

Vale do Loire (Azay-le-Rideau e Villandry)

Chateau de Villandry
Chegamos ao nosso último dia no Vale do Loire com a impressão de que deixaríamos para trás muitos castelos e muita cultura ainda inexplorados. 

Um dos valores mais importantes do nosso modelo de viagem é curtir cada momento e cada lugar da melhor forma possível. Vivemos cada dia intensamente, mas não esquecemos que é apenas mais um de tantos que Deus ainda nos dará a graça de viver.

Sem mais rodeios, vamos ao roteiro. Hoje falaremos de dois importantes castelos localizados bem próximos a Tours, nossa cidade base na região do Vale do Loire.


Roteiro 3 - Sul e oeste de Tours

Villandry

Não há como pensar em Villandry sem lembrar que ele possui o conjunto de jardins que certamente está entre os mais lindos que veremos em toda a nossa vida. 

São flores e arbustos divididos em andares, com placas contando a história e o significado de cada planta. Você sabia que o repolho simboliza a corrupção sexual e espiritual? Pois é, planta também é cultura.

A época que o visitamos (28/3) não é a mais recomendada para ver toda a sua exuberância, pois as flores ainda estavam sendo plantadas. Apesar disso, o conjunto é apaixonante.

Os jardins são divididos nas seguintes partes:

1. Jardin d'ornament, jardim ornamental: é um prolongamento dos salões do castelo. 



2. La foret, a floresta;

3. Le Jardin d'eau, jardim d'água: de inspiração clássica, com um lago em forma de espelho;



4. Le Jardin du Soleil, jardim do sol: é formado por três espaços verdes, la chambre des nuages, la chambre du soleil e la chambre des enfants.

5. Le Labyrinthe, labirinto: simboliza o caminho terrestre do homem. De inspiração cristã, é contrário ao labirinto grego.

6. Le Jardin des Simples, jardim de ervas: tradicional na idade média, é formado por ervas aromáticas, condimentares e medicinais.

7. Le Potager, horta: é composto por nove quadrados de tamanhos idênticos e desenhos diferentes, cuja distribuição de cores dá a visão de um tabuleiro multicolorido.



Dica de foto: suba até o belvedere e pegue a vista do castelo com os jardins num mesmo panorama. Aproveite para visualizar os quatro jardins do amor (L'amour tendre, l'amour passionné, l'amour volage e l'amour tragique).

É digno de capa de revista, ou não é?



Se a sua prole vai com você, garanto que vão adorar. Imaginei-me brincando de esconde-esconde entre os arbustos e jardins, caminhando no labirinto e outras coisas mais que fazíamos quando éramos crianças ou fazemos quando elas nos levam de volta à nossa infância.

O castelo:

Falando da segunda etapa da visita, quem pensar que o interesse de Villandry está apenas nos seus jardins (e você pode optar na bilheteria somente pela visita a eles) irá perder o último grande castelo renascentista do Vale do Loire:



Um pequeno resumo histórico:

Originalmente foi construído em 1536 por Jean le Breton, ministro das finanças de François I (o da salamandra!), sobre uma fortaleza medieval da qual só resta a torre;

Foi comprado em 1754 pelo Marquis de Castellane, que o readaptou e redecorou de acordo com o conforto do séc. XVIII; 

Passou pelas mãos da família Hainguerlot no séc. XIX;

Em 1906 foi comprado pelo Joaquim Cavallo, que recriou seus jardins ao estilo que existia no século XVI. 


Dentro do castelo:

1. Le vestibule e la salle de la maquette: aqui você pode visualizar a maquete do castelo e seus jardins, e ainda observar em fotos e gravuras toda a história do lugar;

2. La Galerie de peintures: criados por Joaquim Cavallo e sua mulher Ann Coleman, possui principalmente obras do séc. XVII, conhecido como séc. de ouro da pintura espanhola.
Nesta ala do castelo, a sensação que tive foi de estar numa galeria ou num museu de arte. O acervo é impressionante.




3. Le Salon Orientale: não recomendado para quem tem dor no pescoço, pois é irresistível a vontade de olhar todos os detalhes do teto originário do Palácio dos Duques de Maqueda. Construído no século XV em Toledo, o Palácio foi desmantelado em 1905. Joaquim Cavallo aproveitou e trouxe um de seus tetos para Villandry. São 3600 peças de madeira policromadas que demoraram um ano para serem remontadas.



4. Le Chambre des enfants: são os quartos dos filhos de Joaquim Cavallo. Não perca a vista externa dos Salons d'amour.





5. Le donjon: é a torre, único resquício da fortaleza medieval. 

Para finalizar, a vista do vale onde os Rios Cher e o Loire correm paralelamente é tombada pela Unesco. 

Maiores detalhes no sítio do castelo.

Aproveite e veja no sítio como estão os seus jardins. As fotos são atualizadas para que fiquem sempre recentes.


Azay-le-Rideau

Reconstruído no séc. XVI por Philippe Lesbahy, mulher de Gilles Berthelot, corrupto ministro das finanças de François I (o da salamandra de novo!), Azay mostra a transição do gótico para o Renascimento com torres puramente decorativas. Era um palácio para uso apenas no verão. 

Antes de chegarmos, subestimamos Azay, mas logo na entrada do parque vimos que estávamos diante de outra obra de arte do Vale do Loire.



Construído no meio do Rio Indre, a vista do castelo impressiona. 



Seu parque possui espécies vindas de países longínquos, como cedros, sequoias, ciprestes calvos e nogueiras-do-Japão.



Possui um belo interior, com mobiliário renascentista no primeiro andar e do séc. XIX no térreo, data da sua restauração. 





Em destaque, o Salon des Biencourt com a lareira com a salamandra de François I (reconstituição do séc. XIX):



Sala de Bilhar com tapeçarias do séc. XVII:



A sala de jantar, com a mesa disposta da mesma forma usada num jantar oferecido pelos marqueses de Biencourt:



Se tiver oportunidade, há um show de som e luz à noite no castelo.
Maiores detalhes no sítio do castelo.

No próximo post publicarei a penúltima etapa da nossa viagem pela França contando nossas aventuras em Le Mans e Chartres. Foi o aniversário mais inusitado que passei em minha vida.

Veja o resumo da nossa viagem.


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